disappear
If I could, you know I would
let it go and so to fade away.

proezas:

Eu vejo a tristeza dos teus olhos tranquilos. Eu vejo as ranhuras do teu corpo arderem quando alguém pinga limão em suas aberturas. Eu vejo a surra dos teus dias explorando cada parte do mundo, enquanto muitos sussurram e te olham de forma atravessada. Eu vejo que sofres mesmo quando não quer sofrer. Tudo te fere e te corta, eu sei. Eu vejo, só que você não grita por socorro, mas teus olhos… Sussurram tua dor.

Olhos holísticos.

A pior crônica (?) de todos os tempos.

2am: Sozinha. Nenhuma chamada recebida. Minha mãe não me mandou nenhuma mensagem ao longo do dia, nem para perguntar como anda o rendimento das minhas listas de matemática. Meu pai passou pela porta do meu quarto 1 hora atras, percebeu meu olhar vazio e perdido para o teto do meu quarto, mas também não perguntou nada. Não que eu tivesse o que responder… Eu não tenho, só sei que eu não estou bem… Mas eu queria um pouco de atenção, um questionamento só para desabar chorando e gritando “Eu não sei, eu não sei” porque essa frase resume o quão confusa, deslocada e desanimada estou perante à vida. Não consigo dormir. Merda de ritalina que me dá insônia. Acabo dormindo.

5:50am: O despertador toca. Me sinto como Macabéa, personagem de Clarice Lispector pois assim como ela, eu demoro pra reconhecer minha identidade pela manhã… Bem, o que eu sou? Que vida é essa? Qual o meu propósito? Porque viver? Bem, eu sou Isabela. Meus pais estão se divorciando. Meu pai é louco. Minha mãe é frígida. Falta menos de uma semana para o meu primeiro vestibular de Medicina. Só tenho um amigo (o que é uma grande ironia quando eu olho pra minha parede e leio ‘Surrounded by familiar faces, the people that you love to see’, acho que essa frase não é mais para mim). Após essas afirmações penso que não quero me levantar, depois me lembro que ir pra escola é a unica maneira de sair de casa. RITALINA! Meu cansaço grita. Meus olhos, minhas mãos, minhas pernas, meu sangue e tudo que está contido em mim grita em harmoniosa sintonia “Ritalina, ritalina, ritalina!”. É o único jeito…

7am: Eu quase consigo me distrair na escola, rindo do que as meninas da minha sala conversam. Quase. Sento no fundo. Não dou a mínima pra aula, sério. Só faço listas de matemática, as devoro e re-faço e eu odeio matemática, mas já acostumei a viver fazendo coisas que odeio, e além do mais quero melhorar minhas notas. Pelo menos isso eu acho que consigo melhorar. Penso em coisas ruins. Devaneios ruins. Suposições ruins. “E se eu tomasse ritalina até morrer?” “Quantas pessoas iriam no meu enterro?” “Tomara que doem meus órgãos e me incinerem, não quero ter um velório. Não quero gente conversando sobre política enquanto eu estou gelada num caixão” “E se eu só entrasse em coma e acordasse daqui uns 5 anos? Meus pais esperariam por mim ou desligariam as máquinas?”

1pm: Meu pai me deixa em casa. É aniversário da minha avó, desejo parabéns. Na mesa durante o almoço ela solta um “Estou com quase 80 anos e não posso morrer sem ver você formando em medicina, é pra você passar logo pela vovó einh?” É, ela gosta de me pressionar com dramas. Vou pro meu quarto e volto a fazer listas.

5pm: Meu pai me conta que leu os trechos que eu destaquei com marca texto na minha bíblia. "Porque se meu pai ou minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá". Me sinto invadida, parece que MEXERAM nos meus sentimentos. E então ele pergunta se meu melhor amigo está apaixonado por mim. Ele leu minhas conversas do whatsapp enquanto eu dormia. Inferno.

9:43pm:Comecei a escrever isso. A sala está lotada de gente comemorando o aniversário da minha avó. E eu, isolada no quarto. Quase isolada. Minha prima está aqui… Interrompo esse texto para resumir “Looking for alaska” para ela. Voltei. Acho que a única semelhança que tenho com a Alasca além das margaridas é o fato de que nós queremos sair desse Labirinto de sofrimento. Sair do labirinto significa morrer. Straight and Fast. Que coisa horrível não? Já pensei em coisas piores, já pensei em coisas muito feias. Mas hoje foi um dia normal. O conjunto desses dias normais é que me fazem querer sumir. Eu me sinto uma grande pedra no mundo. Um vazio do tamanho do infinito. ]Ø[

10:49pm: Sozinha. Minha mãe passou bem rápido pra me ver. Estou na minha cama. E eu quero fugir. Outra ironia. Me sinto sozinha e ainda quero fugir para morar sozinha? Eu explico: Estando aqui, eu sou sozinha porque sou. Se eu fugisse, eu escolheria a solidão. Seria algo mais confortável para a minha consciência pensar “Eu estou sozinha aqui porque eu quero e não porque eu sou uma pessoa deplorável”. As pessoas são idiotas, hipócritas e a vida é uma substituição infinita de sofrimentos. E eu posso dizer isso tranquilamente, pois assim como Brás Cubas em suas memórias póstumas eu estou morta e sozinha, logo, posso expor os podres da vida sem me importar com o que a sociedade vai julgar, e se julgassem falariam “Ah, vai pro inferno” mas eu já estou aqui.

Bebela
Please Mia,” he implores. “Don’t make me write a song.”
If I Stay (via casebre)